quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Técnica transforma entulho em material de construção com alto valor agregado

A partir do entulho produzido na construção civil, pesquisa da Escola Politécnica (Poli) da USP obteve areia reciclada, que poderá ser utilizada em argamassas aplicadas em acabamentos finos. A técnica desenvolvida pela engenheira Carina Ulsen, no Laboratório de Caracterização Tecnológica da Poli, pode permitir a obtenção de materiais com alto valor agregado, contribuindo para a sustentabilidade da construção civil no Brasil.

“Utilizando equipamentos de mineração, o método otimiza a produção de areia e brita recicladas de baixa porosidade”, aponta Carina. Ela explica que no entulho da construção civil a rocha geralmente está contaminada por pasta de cimento, que possui alta porosidade e baixa resistência, o que torna o agregado reciclado inadequado para concreto estrutural. “Já a areia pode ter solo como contaminantes, tornando-a inapropriada para argamassa.”

Na pesquisa, os materiais foram separados conforme suas características físicas e químicas, atendendo as exigências de cada aplicação na construção civil. “O processo é realizado de forma eficiente e segura e atende os requisitos das normas técnicas”, acrescenta a engenheira. “Trabalhamos com amostras bastante diversificadas, obtidas em aterros de São Paulo (SP), Macaé (RJ), Rio de Janeiro (RJ) e Maceió (AL), o que comprovou a eficiência do método independente da origem do resíduo”.

Mercado

A próxima etapa dos estudos será o levantamento de custos e a adaptação do projeto para implantá-lo em escala comercial. Segundo o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), o consumo de matéria-prima de origem Mineral (agregados) no Brasil é de 400 milhões de toneladas por ano, enquanto que a geração de resíduos da construção civil e demolição (RCD) é de aproximadamente 70 milhões de toneladas anuais. “Considerando somente a fração mineral do entulho, de 75% a 90% do volume total, a reciclagem do RCD como agregados poderia atender até 17% do mercado”, calcula a pesquisadora.

Estima-se que cerca de 20% dos RCD produzidos no Brasil sejam depositados em aterros ilegais, nas margens de rios, córregos, estradas ou em terrenos baldios. “Nossa expectativa é que essa pesquisa contribua para a sustentabilidade do setor de construção civil, de modo a diminuir a extração de bens minerais não renováveis e as áreas de deposição dos resíduos”, prevê Carina. Os estudos com areia reciclada fazem parte da tese de doutorado da engenheira, em fase de elaboração na Poli.

Os pesquisadores da Poli também já obtiveram do entulho de construção civil areia e brita para aplicações em concreto armado, com características superiores ao agregado reciclado atualmente empregado para pavimentação. O desenvolvimento faz parte de um projeto multidisciplinar dos departamentos de Minas e Petróleo e de Construção Civil, envolvendo outras instituições de pesquisa, tais como o Centro de Tecnologia Mineral e a Universidade Federal de Alagoas (Ufal). As pesquisas são custeadas pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pelo Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes).

(Com informações da Assessoria de Imprensa e Comunicação da Poli)

Mais informações: (0XX11) 3091-5151, com Carina Ulsen. Pesquisa orientada pelo professor Henrique Kahn


(Agência USP)